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Artrose
04/09/2012
 

Para entendermos o que é a artrose de joelho precisamos conhecer um pouco a anatomia da articulação.

Osteoporose
Na figura podemos observar que as extremidades dos ossos que permanecem em contato na articulação são recobertas por cartilagem articular.

Ao contrário do osso, a cartilagem articular exibe uma capacidade elástica de receber deformações e recuperar a forma original após o esforço, dessa forma, atuando como amortecedor dos impactos que sofremos nas diversas atividades do cotidiano, da prática esportiva e de esforços: marcha, corrida, agachamento, levantamento de pesos, saltos.

A cartilagem apresenta-se com uma superfície lisa, com pouco atrito, e é lubrificada pelo liquido sinovial, características que favorecem a liberdade e fluidez de movimentos.
 




Essa é a visão artroscópica (intra-operatória) da articulação. Notem as características da cartilagem articular e do menisco, saudáveis.











Legenda – acima cartilagem do fêmur, abaixo superficie superior do menisco

 
Nessa figura observamos uma radiografia dos joelhos, sem dano à cartilagem. Notem que os ossos aparentam estar afastados: na verdade esse espaço é ocupado pela cartilagem, e a avaliação do espaço é uma das variáveis que são julgadas para estimar a gravidade da doença, por representar a espessura da cartilagem.


Na artrose ocorre a lesão da cartilagem, e com isso começa a haver exposição articular do osso, que é uma superfície não preparada para sofrer atrito ou sustentar o peso sem a proteção da cartilagem.




Legendas:
1- Articulação saudável
2- Ilustração representando a lesão da cartilagem, com formação de cistos e deformação do osso



As próximas imagens são fotos intra-artroscópicas obtidas durante cirurgias, e exibem danos cartilaginosos
Notem a exposição do osso abaixo da cartilagem.



Abaixo vemos exemplos de radiografias com redução do espaço articular (perda da cartilagem), e dano secundário ao osso, incluindo osteófitos (bicos de papagaio).

Nessa figura observamos a artrose na articulação entre a patela (rótula) e o fêmur, denominada artrose patelo-femoral.

A - sem artrose
B - redução do espaço articular e presença de osteófitos

A perda da capacidade da articulação em suportar a exigência mecânica das atividades de vida diária causa dano aos ossos, aos ligamentos, aos meniscos e à musculatura da região. A artrose pode se tornar muito incapacitante, devido à presença da dor, que muitas vezes é constante e limita as atividades do indivíduo. Nas fases mais avançadas leva à perda de arco de movimento articular, trazendo menor mobilidade, afeta as articulações vizinhas, exigindo delas maior trabalho para compensar essa deficiência, e afetando a mecânica do movimento muscular e da postura.

A artrose pode se manifestar em diversos graus e também associada a outras situações:
  1. Fases iniciais, com lesões meniscais degenerativas com menor dano cartilaginoso e ósseo;
  2. Fraturas por insuficiência dos côndilos femorais após retirada dos meniscos ou infarto ósseo;
  3. Dano cartilaginoso mais severo, associado ou não a lesão meniscal;
  4. artrose entre o fêmur e a tíbia apenas em um compartimento: lateral ou medial;
  5. artrose patelo-femoral;
  6. artrose em dois ou três compartimentos;
  7. lesões de cartilagem associadas a desvios angulares dos membros inferiores;


O diagnóstico de artrose é caracterizado pela presença de dor articular, de caráter progressivo, que pode limitar a amplitude de movimento articular (não esticar ou dobrar tudo), com presença de crepitação e estalos à mobilização, que piora progressivamente e limita as atividades de vida diária.


Os exames utilizados para o diagnóstico incluem:
  1. Radiografias dos joelhos, em pé
  2. Radiografia panorâmica de membros inferiores, incluindo desde a bacia até os pés;
  3. Ressonância Magnética, para afastar a presença de outras doenças, e avaliar o estado dos meniscos, ligamentos e cartilagens;
  4. Tomografia Computadorizada para avaliar e mensurar defeitos ósseos que possam interferir com a programação cirúrgica;


O tratamento da artrose é composto de alternativas clínicas e cirúrgicas:
  1. Visco-suplementação (infiltrações intra-articulares com ácido hialurônico e derivados)
  2. Condro-proteção (soja e abacate, diacereína, colágeno, condroitina e glicosamina)
  3. fisioterapia, cinesioterapia sem carga, alongamentos, hidroterapia
  4. medicação analgésica
  5. infiltração com corticóides
  6. procedimentos cirúrgicos: toilette articular e cirurgias como artroplastia de substituição.


» Como tratar artrose de joelho
 
 
Dr. Ricardo Augustus Barone // Todos os Direitos Reservados crédito: Grande Ideia