Artigos Médicos  
   
Osteoporose
05/07/2010
 

Consideramos a presença de osteoporose quando a perda de massa óssea ocorre em intensidade suficiente para que um trauma não tão violento possa causar fratura. Por exemplo, ao tossir, quebra-se uma costela; ao girar o tronco quebra-se o quadril; ao cair sentada quebra-se o quadril ou uma vértebra.
Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que 1/3 das mulheres brancas acima dos 65 anos são portadoras de osteoporose, e estima-se que um homem branco de 60 anos tem 25% de chance de ter uma fratura osteoporótica.
Quando ocorre uma fratura por osteoporose, estima-se que já houve perda de 30% a 40% da massa óssea. Seu caráter silencioso faz com que, usualmente, não seja diagnosticada até que ocorram as fraturas, principalmente nos ossos do punho, quadril, coluna vertebral e costelas. 

                          Osteoporose



Osteoporose dói?


Por si só, a osteoporose não ocasiona dor, mas quando existem micro-fraturas que deformam os ossos  pode ocorrer dor.
A osteoporose  proporciona uma alteração postural na coluna vertebral. Há o “acunhamento” da vértebra, ou seja, a estrutura deste osso fica deformada, sendo chamada de vértebra de ‘peixe’, com a borda anterior menor que a posterior, levando a uma cifose.
Progressão da Cifose na osteoporose

 

Fatores de risco

Certos fatores estão ligados ao desenvolvimento da osteoporose ou contribuem para maior probabilidade de ocorrência da doença:

  • menopausa;
  • idade avançada (mais de 75 anos);
  • baixo peso;
  • história familiar de fraturas ósseas ou osteoporose, principalmente em ascendentes maternos;
  • raça branca e amarela;
  • ingestão abusiva de café, fumo e álcool;
  • dieta pobre em cálcio;
  • sedentarismo;
  • estar acamado;
  • doenças endócrinas em geral;                                                                     
  • tumores;
  • doenças reumáticas;
  • uso prolongado de medicações tais como anticoagulantes e corticóides.



Diagnóstico


O exame utilizado para investigação é a densitometria óssea, não invasivo e indolor. O médico poderá aprofundar a análise dos níveis sanguíneos e urinários de cálcio, e do índice de metabolismo ósseo. A pesquisa de cadeias de colágeno na urina poderá ser utillizada dentro dos próximos anos para acompanhamento da doença.
Além desses, radiografias da coluna e do quadril são os exames mais utilizados. Elas podem mostrar diminuição da densidade óssea, porém não avaliam a intensidade da perda óssea.



Tratamento

Não há uma única medida a ser adotada no tratamento. Cada caso deve ser avaliado especificamente, observando-se e corrigindo quando necessário: a dieta, a atividade física, exposição ao sol, sono e outras condições associadas. Os seguintes medicamentos podem ser utilizados: hormônios femininos, cálcio, vitamina D, calcitonina, ranelato de estrôncio, alendronato, risedronato, raloxifeno, ácido zoledrônico e outros princípios.



Prevenção

O banco ósseo, que corresponde a toda a quantidade de osso que adquirimos até a maturidade, é talvez o fator mais importante para determinar a saúde dos ossos ao longo da vida. Alcançar um bom nível de massa óssea pode reduzir o impacto de sua perda gradativa.
Fatores genéticos exercem uma forte influência, mas fatores ambientais controláveis e estilo de vida também têm seu papel. Isto inclui uma boa alimentação, ingestão de colágeno, cálcio e vitamina D. Praticar exercícios regularmente, contra a ação da gravidade, uma caminhada pela manhã ou tarde, ao mesmo tempo em que se toma sol por, pelo menos, quinze minutos ao dia.

 

Dieta

Deve conter cálcio, vitamina D, proteínas e dentre elas colágeno.
As melhores fontes de cálcio são os alimentos lácteos (leite e seus derivados), vegetais verde-escuros folhosos, incluindo brócolis, couve e mostarda, são boas fontes de cálcio. Também, lentilhas, ervilhas e soja. Faz-se exceção o espinafre, que inibe a absorção de cálcio pelo organismo. Também a mistura de cereais com o leite pode prejudicar a absorção do cálcio.
Leite de soja e derivados, como o tofu (queijo do leite de soja) estão indicados para consumo.
Poucos alimentos são considerados fontes de vitamina D, mas entre eles encontram-se a gema de ovo, fígado, manteiga e alguns tipos de peixes como a cavala, o salmão e o arenque. Embora em menor quantidade, a sardinha e o atum também têm vitamina D.
Pesquisas mostram que por volta dos 25 anos de idade a produção interna de colágeno diminui, e aos 50 anos, o corpo só produz em média 35% do colágeno necessário, daí a importância de uma alimentação rica neste ingrediente.
A necessidade de suplementação deve ser avaliada particularmente pelo seu médico.

 

 

Dicas para evitar fraturas

De modo geral procuramos evitar quedas, adequando o ambiente e o vestuário. Também se deve ter muita cautela ao carregar pesos que sobrecarreguem os ossos ou que propiciem o desequilíbrio.

  • use calçados com sola de borracha, que não escorregam;
  • evite andar de meias ou chinelos, use sapatos fechados confortáveis ou tênis;
  • procure apoio de bengala ou andador, quando preciso, para aumentar a estabilidade da marcha;
  • evite pisos lisos, polidos, encerados e molhados;
  • use barras de apoio nas paredes dos banheiro;
  • mantenha tapete de borracha no chuveiro, na banheira, na cozinha e lavanderia;
  • utilize corrimão em ambos os lados das escadas;
  • não ande pela casa no escuro, procure iluminar bem o ambiente, mantenha claridade no trajeto do quarto ao banheiro;
  • habitue-se a manter um copo d'água na mesa de cabeceira;
  • evite curvar-se ou carregar peso;
  • após longos períodos deitados, primeiro sente-se e levante-se apenas quando se sentir firme para andar;
  • remova móveis baixos da área de circulação, bem  como objetos que possam provocar tropeços: mesas de centro devem ser removidas, assim como tapetes;
  • evite cadeiras baixas para se sentar, sofás muito moles e baixos e o uso de cama alta.

 
Dr. Ricardo Augustus Barone // Todos os Direitos Reservados crédito: Grande Ideia